Coronavírus é consequência do mercado
Vinda do oriente, a epidemia de Peste Bubônica, maior desastre biológico da História da Humanidade, dizimou metade da população da Europa no Século 14.
África e Américas escaparam. Motivo: lá, o Mercado como hoje conhecemos ainda não havia chegado.
O Império Mongol foi o maior de nossa história. O segredo do sucesso do líder Gengis Khan foi uma invenção que mudaria o mundo para sempre: as rotas comerciais.
O Mercado.
Como o coronavírus, a peste bubônica surgiu na Mongólia e, transmitida por pulgas que infestavam ratos que infestavam as cargas dos comerciantes, chegou à Europa.
Nunca antes havia se comercializado tanto, de tão longas distâncias. Nunca havíamos aberto uma janela de contágio tão opulenta.
O que chamamos hoje de Mercado chegou ao velho continente junto com a doença que mais mataria gente em nossa história.
A Europa, conservadora e concentradora de renda. Na época, até banhar-se era pecado. A maioria da população acreditava que a Terra era plana. Cultura e Ciência eram boicotadas pelos governos.
Enquanto na África gatos domésticos exterminavam ratos, a Europa perseguia e matava felinos. O catolicismo tinha os bichos como coisa do diabo.
A crença era de que Deus todo poderoso e o evangelho iria nos salvar a todos.
A crença era de que o Mercado salvaria-nos a todos.
Então, metade do povo crente, branco, conservador, antipático à Cultura e à Ciência, morreu.
Hoje, o coronavírus ameaça o mundo, diz o Deus-Mercado, essa entidade que cremos que irá a todos nos salvar.
No Brasil, o segundo caso confirmado da doença é de justamente um corretor de uma casa de investimentos. A versão contemporânea do mercador mongol com carga infestada de ratos pulguentos.
Mas para matar mais do que, por exemplo, a PM do Rio, o cornonavírus precisaria multiplicar em 60 vezes seu poder de contágio.
No Brasil, fez menos vítimas que os estragos causados pelas chuvas em zonas de ação da milícia, que loteia terrenos sem regulação.
No brasil, o povo crente, branco, conservador, antipático à Cultura e à Ciência está no poder.
Nos falta uma África.